domingo, 26 de fevereiro de 2012


eu não me iludo... 
a ilusão me pega sorrateira... 
quando percebo já me iludi..

domingo, 5 de junho de 2011

Ela varria as folhas e o pó para o pequeno
quadrado destinado ao que é vivo.
O resto é concreto.
Não saia dai plantinha, não cresça
Não perturbe a paz da cidade.
Não pode o verde, não pode o pó,
não pode o silêncio. o vento também não pode
mas, ele vence.

Tudo tem sua hora, seu lugar
E fica o verde aprisionado dentro de parques,
seu santuário.

Não corre criança.
Não late cachorro.
Não chore.
Um beija-flor pousou na minha janela
Acho que veio ouvir Tom Zé comigo.
Conversamos! Contei pra ele as novidades,
ele ficou lá paradão, imóvel feito pedra, nem liguei.
Busquei alguma intimidade.
Fingi que ignorava a presença dele, nada.

A música acabou e ele foi embora.
É, acho que era Tom Zé.

sexta-feira, 18 de março de 2011

(...)
Razão, de que me serve o teu socorro?
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;
Dizes-me que sossegue: eu peno, eu morro.


Bocage.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011


Um dia eu entrei em um ônibus, não era meu ônibus
ele fazia uma volta enorme mas, as voltas enormes dos ônibus
paulistanos são ótimas pra se pensar hora ou outra você pode
olhar pra fora e mudar de pensamento, como quem muda de canal...

Então ele entrou
Estava acompanhado por um amigo, com cara de dúvida
que pensava "rio ou me preocupo".

Ele estava bravo, ou melhor muito bravo, não
Estava indignado, não importa com o que
Estava indignado e isso era lindo
Não era uma indignação dessas que os estudantes
emprestam por um período curto dos livros
Nem era uma indignação de causa nobre e relevante

Era algo sobre um troco, centavos de troco que lhe negaram
Mas isso não importa
Era uma indignação sincera, pessoal, real  
estava indignado, e como era lindo de se ver
levantava as mãos pra cima e pra baixo,
fazia o tão peculiar não com o rosto,
Eu podia ver, ouvir e sentir cada palavra
cada respiração, podia saber a velocidade das batidas
do coração naquele homem tão lindo, tão bravo
usando todas as expressões sinceras que guardamos pra crescer
o olhar de busca de compreensão,
indignado, certo, incompreendido 
todo mundo devia ter se indignado diante de tão bela indignação 
Me apaixonei por ele, minha indignação é tão pacata, vergonhosa.

Muitas vezes peguei aquele ônibus novamente
Nunca mas o encontrei

Só restaram os heróis surdos-mudos
Os que se conformam, ignorantes
Sobraram eles, e eles me davam raiva...
As risadas me davam raiva, a resignação, a felicidade
que levavam consigo não era apaixonante como ele.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Doi, não dá pra identificar onde nem porquê.
E essa merda de vida que não começa,
26 anos, é a merda da vida não começa.
To assistindo a vida dos outros,
e cada um tem sua dor
Sem aversão a solidão...
O que mata é a falta de escolha.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Eu te desejo amor
Desejo a redescoberta dos pingos de chuva no rosto erguido
que tenha pra quem ligar
elogios e sorrisos gratuitos no meio da tarde
conversas intermináveis
Te desejo o silêncio e, que cada pensamento venha só
Transito livre com cheiro de noite
música pra ouvir de olhos fechados
o abraço certo...
a certeza de dias melhores
Te desejo a liberdade, ainda que seja limitada